Transformação Espetáculo de dança retrata temas chocantes para despertar os jovens para Deus
- Natália Caplan Matéria publicada no Caderno Gospel do Jornal Amazonas Em Tempo (22/06/2008).
Fome, drogas, morte e prostituição. É difícil imaginar temas tão fortes serem abordados com danças animadas e saltos mortais. Mas o espetáculo “Metanóia” agradou os cerca de 300 espectadores no teatro do Sesc – na Rua Henrique Martins, Centro – na noite da última quarta-feira (18), com street dance (dança de rua), hip hop e rock dos anos 50. Direcionado ao público jovem, o evento produzido pela Escola de Danças Harpa e Tamborim surpreendeu. “Nunca vi uma apresentação evangélica tão bem feita”, disse a universitária Silvana Paixão, 22.
Com coreografias de Wellington Carvalho, 23; Márcia Vargas, 22; e Diane Moraes, 19; o musical
mostra exemplos do cotidiano da juventude no mundo, longe de Deus, em meio à violência e falta de perspectivas. O sofrimento do rapaz que saiu do Nordeste em busca de uma vida melhor no Sudeste; o domínio dos traficantes; até os vários motivos que levaram moças a venderem o próprio corpo. “Queremos despertas as pessoas para Deus; mostrar que só Ele pode mudar esse realidade”, disse o professor de street e balé para homens.
Antes de tocar nas “feridas” da humanidade, o palco transformado em altar abriu espaço para um momento de descontração ao ritmo da década de 50, com garotas de saias rodadas e garotos de topete. Depois, o clima ficou mais sério, mas ainda divertido. Em cada cena, os 42 bailarinos fizeram o caminho percorrido por grande parte dos adolescentes. Com movimentos fortes e músicas “pancada” de grupos de hip hop gospel eles encenaram o drama vivido por quem não conhece o amor de Jesus.
Cada detalhe foi pensado: cadeiras e mesas retrataram o ambiente dos bares; o cenário pintado ao fundo, com cores escuras e desenhos confusos, lembrou uma favela; as cestas de lixo coloridas bailaram junto com os mendigos, que buscavam uma saída para o tormento da fome e da indiferença dos que passavam. Os figurinos dos capangas e as roupas das prostitutas deram um toque a mais. Tudo para dar vida aos personagens. “As meninas tiveram um pouco de dificuldade para encenar, mas oramos para não ferir a santidade delas” ressaltou o coreógrafo.
Se a meta era despertar os jovens, sem dúvida, foi alcançada com êxito. Para completar o choque e ter certeza de que o recado foi bem dado, no meio do espetáculo as luzes se apagaram. Uma apresentação de slides, com fotos da triste realidade do século 21 – crianças famintas, seca no nordeste, descaso e guerras – ao som de um louvor de Michel W. Smith mexeu com a alma do público. “Metanóia – mudança de mente – já diz tudo”, disse Carvalho. “Mostramos que é possível sair da escuridão e encontrar paz e santidade no Senhor”, afirmou.
O desenrolar do musical passou por inúmeras situações, tristes e impactantes, mas reais. Entretanto, a alegria dos dançarinos e a energia dos espectadores criaram um clima de que sim, tudo é possível ao Senhor dos Exércitos! A dificuldade de levar a palavra de Deus e o clamor dos profetas também foram encenados para exaltar a importância da salvação. “Nosso chamado não pode se restringir entre quatro parades; temos que ir aonde Deus mandar”, ressaltou Márcia. “Esse espetáculo é para ganhar vidas”, completou Diane.